sexta-feira, 11 de março de 2011

Matemática



Dízima periódica:
66,66%...
Foi simples um dia.
Anotar, calcular, devolver.
Foi simples um dia,
quando um mais zero era igual a um – uma.
Agora, uma é uma terça parte.
Uma terça parte de olhos ávidos, quase pedintes,
Tecida entre duas satisfeitas, quase plenas.
Ela busca, precisa, quer encontrar, somar.
E a frase da filósofa açoita:
o ser humano não pode ter todas as coisas.

33,33% amam cada uma das certeiras flechas,
Flecha-palavra, palavras exatas.
Como a terra que bebe gota a gota a chuva que traz a vida.
É com essa boca aberta, de filhote no ninho,
que ela alimenta a alma, sorve o dia, carpe...

33,33% amam como um Caeiro que contempla a semente,
orgulhoso das mãos de semeador.
Como quem guarda, acaricia rebanhos de pensamento
e magicamente vê laçadas suas palavras àquelas palavras,
seus sentimentos àqueles sentimentos,
numa profusão de dedos que se tocam,
de mãos que se unem, se fortalecem
e deslizam candidamente na hora de partir.

33,33% amam e choram por serem invisíveis.
Como a brisa que refresca, mas não é tocada.
Como a sombra que protege, mas segue só.
Como a luz que oferece a trilha, mas não caminha.
Brisa, sombra e luz entregam o  Amor.
O andarilho não vê e busca, busca, tropeça.
Não vê, olha e não vê.

Amanhece e lá estão fielmente a brisa, a sombra e a luz.
O Amor renasce, feliz por existir, por ser,
no meio de tantas coisas que não são.
Porque 100% amam e nada sobra.
0,01 é a conta do que ela precisa
100% de mim=você.