sábado, 19 de maio de 2012

Água


_ Eu te amo.

Ela pensou: Por quê?

            Olhava para si mesma e não encontrava a resposta, transbordava imperfeições, medos, lamentos, culpas. Culpas – era definitivamente culpada por espiar a alegria, definitivamente fora da regra. 

            Um amigo, por certo, pediria para ela parar de racionalizar. Ama e pronto! Seria o comentário dele. Pelo menos era bom pensar que um amigo diria algo, passara tanto tempo em profundo silêncio, na mais minguante solidão, que imaginava como teria conforto ao ouvir a própria voz organizando os pensamentos turvos e desconexos. 

Nessa mesma divagação, lembrou-se de um rio, ironicamente chamado Turvo, onde quase caíra certa vez, não teria chance sem uma velha mureta de proteção, não sabia nadar. Foi então que decidira aprender, sempre fazia isso, procurava uma solução para afastar o medo de não se dominar. Repetiria a estratégia diante do outro Rio que a atraía, contudo tinha a lembrança maravilhosa de um empurrão na piscina. Lembrou-se do riso, da liberdade, da sensação, do azul, mas sabia que quando precisasse, poria os pés no chão.

_ Eu te amo.

Ela respondeu:

_ Obrigada. Hesitante, tímida, racional, completou: Eu também.