sábado, 18 de junho de 2011



Os meus dedos em grade
Os meus dedos em grade, ah, que eu não consigo atravessar!
Mário Quintana

Os dedos deslizam pelo teclado e o verso vem.
O ar invade meu peito.
Tão livre. Tão eu. Tão de volta pra mim.
A vida se revela ainda uma vez,
A avalanche quer um desafio,
Ah! O tornado é brisa.
Meus dentes os desafiam,
É um riso pueril a borboletear por mim.
Fechou o corte ou fechei-me?
Não importa quando as unhas cravam a carne.
Diante da pergunta, a resposta veio bravamente:
_Sim, sou eu!
Os olhos insistiram, o lábio mirou sem hesitar:
_Sim, sou eu!
Há tempos me espero...
Uma multidão ouviu, cada sílaba ecoou.
A fé emergiu,  muitas, tantas fés.
O leme, o manche, o rumo comemoraram, saudosos.
Olhei-me e me vi.