Os meus dedos em grade
Os meus dedos em grade, ah, que eu não consigo atravessar!
Os meus dedos em grade, ah, que eu não consigo atravessar!
Mário Quintana
Os dedos deslizam pelo teclado e o verso vem.
O ar invade meu peito.
Tão livre. Tão eu. Tão de volta pra mim.
A vida se revela ainda uma vez,
A avalanche quer um desafio,
Ah! O tornado é brisa.
Meus dentes os desafiam,
É um riso pueril a borboletear por mim.
Fechou o corte ou fechei-me?
Não importa quando as unhas cravam a carne.
Diante da pergunta, a resposta veio bravamente:
_Sim, sou eu!
Os olhos insistiram, o lábio mirou sem hesitar:
_Sim, sou eu!
Há tempos me espero...
Uma multidão ouviu, cada sílaba ecoou.
A fé emergiu, muitas, tantas fés.
O leme, o manche, o rumo comemoraram, saudosos.
Olhei-me e me vi.