quinta-feira, 14 de julho de 2011

Herencia



Me he convertido en mi padre,
su mirada lejana cuando la quiere,
su melancolia, su seriedad.
No logré repetir sus cualidades,
tampoco  sus defectos.
Sigo mi vida con la cabeza al aire,
los ojos fuertes.
De mi madre llevo la resignación callada
de las heroínas del día,
de las reinas de la rutina.
No traigo su belleza,
tampoco sus contradicciones.
De los dos recibí
los pies para caminar
mi ruta de soledad,
mi silencio.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Nada


O que preenche o espaço do nada,
se o nada é o nada?
E se é o nada,
por que ocupa tanto espaço?
Por que afugenta, oprime, dilacera?
E o que estava no lugar do nada,
antes de o nada ser o nada?
“O bem que você me fez nunca foi real”
Se o que estava no lugar do nada
era quase nada,
como não ter percebido...
E o sem-nome que passa pela porta?
Seria ele um intruso ou um convidado?
Se é um convidado,
o convite equivale a uma lacuna.
Com ou sem o outro
a lacuna permanece,
era e é.
Então o nada é
cada vez mais meu.
Meu nada é o espaço
onde tudo cabe.
É o lugar do novo.
O nada não é meu vazio.
É minha busca.
É minha bússola.
__ Pois não?