terça-feira, 15 de novembro de 2011

Bússola


Esqueceu-me o sorriso.
Nunca vi dias tão nublados.
É cinza que não finda.
É vento que me arrasta.
Essa é a verdade ou há um eclipse nos meus olhos? Meus ouvidos e minha percepção me traem ou o horizonte ficou turvo?
Dias cinzentos formam um redemoinho em volta de meu frágil destemido corpo e não sei mais discernir sobre onde está o Norte. Aliás, pra que o Norte?
Iria bem feliz pelo Sul se lá pudesse escolher o rumo dos meus passos, um zigue-zague aqui, uma pausa ali, uma disparada que fizesse os meus lábios tomarem forma de coração, é assim que eles ficam quando rio, se ainda me lembro.
O Oeste não me assusta, nem o Velho Oeste com seus índios vibrando línguas para intimidar os cowboys, nem com seus cowboys multiplicando tiros para intimidar moicanos e cherokees. Minha língua fere mais e lá descansaria muitas palavras ácidas numa estante bem empoeirada.
O Leste me é um passeio, buscaria nas ruínas do mundo minha essência adormecida, buscaria muitas explicações entre os sábios gregos, minha pureza num pueblo e deixaria minha melancolia pendurada num varalzinho em alguma viela. Esperaria o Calor que me encontraria, aqueceria meu peito, encostaria minha cabeça e me apertaria enquanto soluço. Forte, forte, tão forte, até que eu não tivesse mais motivos para sofrer.
Eu olharia grata, procuraria sua face para retribuir com um beijo e caminharia para qualquer parte, porque com ou sem o impassível cinza, eu estaria comigo, seria mia senhor.


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