_ Eu te amo.
Ela pensou: Por quê?
Olhava para
si mesma e não encontrava a resposta, transbordava imperfeições, medos, lamentos,
culpas. Culpas – era definitivamente culpada por espiar a alegria,
definitivamente fora da regra.
Um amigo,
por certo, pediria para ela parar de racionalizar. Ama e pronto! Seria o
comentário dele. Pelo menos era bom pensar que um amigo diria algo, passara
tanto tempo em profundo silêncio, na mais minguante solidão, que imaginava como
teria conforto ao ouvir a própria voz organizando os pensamentos turvos e desconexos.
Nessa mesma divagação, lembrou-se
de um rio, ironicamente chamado Turvo, onde quase caíra certa vez, não teria
chance sem uma velha mureta de proteção, não sabia nadar. Foi então que
decidira aprender, sempre fazia isso, procurava uma solução para afastar o medo
de não se dominar. Repetiria a estratégia diante do outro Rio que a atraía,
contudo tinha a lembrança maravilhosa de um empurrão na piscina. Lembrou-se do
riso, da liberdade, da sensação, do azul, mas sabia que quando precisasse, poria
os pés no chão.
_ Eu te amo.
Ela respondeu:
_ Obrigada. Hesitante, tímida,
racional, completou: Eu também.
Gostei não sei porque.
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