terça-feira, 5 de julho de 2011

Nada


O que preenche o espaço do nada,
se o nada é o nada?
E se é o nada,
por que ocupa tanto espaço?
Por que afugenta, oprime, dilacera?
E o que estava no lugar do nada,
antes de o nada ser o nada?
“O bem que você me fez nunca foi real”
Se o que estava no lugar do nada
era quase nada,
como não ter percebido...
E o sem-nome que passa pela porta?
Seria ele um intruso ou um convidado?
Se é um convidado,
o convite equivale a uma lacuna.
Com ou sem o outro
a lacuna permanece,
era e é.
Então o nada é
cada vez mais meu.
Meu nada é o espaço
onde tudo cabe.
É o lugar do novo.
O nada não é meu vazio.
É minha busca.
É minha bússola.
__ Pois não?

Nenhum comentário:

Postar um comentário