quarta-feira, 11 de julho de 2012

Estradas



I
Caminhava, caminhava. O vento seguiu desde o princípio os meus passos. Eu e o vento éramos amigos, ele me empurrava para o mundo, porque eu era franzina, frágil, magricela e o corpo custava a obedecer ao que mente queria. E como queria se atirar!
Aquele era um caminhar de audácia, de mudar a tradição, de vanguarda – a inspiração para a independência.
II
O vento soprou e meu cabelo cresceu, minhas pernas também. Senti medo, fiz escolhas, disse adeus. Quando olhei, encontrei o que procurava e meu amigo se tornou brisa que refresca e acalma.
Aquele era um tempo de ganhar, abrir o baú e guardar o prêmio para conservar a vida – hora de ser livre. Amém.
III
Um rodopio me trouxe de volta para que eu pudesse ver o que eu nunca vi, perto-longe de mim. O ar secava as roupas cheirosas no varal das manhãs.
Aquele era um tempo de parar e um ventinho quente acariciou meu rosto, enquanto eu esperava pelo resto da vida, pintando simultaneamente dois quadros.
IV
Uma rajada me atirou e conheci outra estrada, mas a velocidade esqueceu-se de me trazer inteira e deixou partes de mim em outra trilha. Desfiz-me.
Aquele era um caminhar de busca, me confundi, me perdi, não sou. Roubei partes de mim em outros eus. Há partes de mim em tantas estradas e é de joelhos que me procuro – tempo de dor.

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