ABRA
ABRA-O
ABRA O AÇO
RASGUE
CORTE
DESPEDACE
ABRA-SE
ABRASSE
SÓ
Era lacuna. Era. Era um toque só. Só um toque, viu? De quem acha que vale um... só, só os olhos, só um riso – sorriso – só a terra, o cheiro da terra.
Quando nada mais diz nada mais, só sinta o que vale. Ceda à água que mata a sede, ceda ao que Freud não explica, ceda ao apelo do que é simples, doce e terno, eterno, como um abraço silencioso, cheiroso, zeloso. Vale escolher de quem, porque afinal é tudo o que importa para combater a solidão que assola e desconsola, nessa imensidão árida e fértil das falsidades e das voluntárias cegueiras humanas.
Quando era só eu e o espelho, quando era só eu e a minha face tudo era mais difícil. Minha face. Minha face conta a história de quem vive de contar histórias de quem tem muita história pra contar. Gosto dela, expressiva, autêntica, destemida, destemida a ponto de ousar conhecer o que é o outro e sentir essa tal felicidade. Abraçar. Dividir. Multiplicar. Compartilhar. Reconhecer. Reconhecer-se.
E deve ser hora de dizer obrigada. Obrigada por sua mão que tocou a minha, por sua risada que abriu meu rosto, pelo minuto que você esticou para ficar comigo, pela tarefa que você não cumpriu para ficar ao meu lado e, principalmente, por não me cobrar nada disso e ainda ser feliz.
Estranho. Diferente é agradecer, se entregar, fazer o simples quando o simples é tão complicado. É exatamente o necessário, o imprescindível a fazer para delimitar quem somos e quem são os que nos cercam e nos merecem, merecem nosso abraço honesto e profundo. Para saber que somos apenas e tudo isso, que tudo isso vale a pena. Só isso.
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