O nome desta fonte é andalus, assim mesmo, com s. Queria que fosse com z, queria conhecer a Andaluzia, queria estar lá, queria ver se lá veria o que quero tanto ver e mais: deixaria de ver o que tanto vejo.
Estou exausta. Meu sangue claro sangue é a clarividência da minha exaustão e o dicionário infeliz e mordaz assim retruca “(O amor) de todos os sentimentos humanos, é o único que não se exaure.” Então não irei à Espanha, não buscarei vestígios de Lorca. Lorca está aqui bailando em tantas bodas de sangre, bailando em minha diminuta alma. Alminha indefesa.
Ouço palmas místicas e fervorosas na calçada, insistem, eles querem minha alma e uns trocados. Talvez devesse mostrá-la...Eles ficariam chocados, eu ficaria na paz da alienação consentida. Bobagem, nunca fui de escolher o fácil. A frase derradeira, entre risos, na aula de italiano era “Se eu não me matar, qual é a razão de viver?”
Não era para me lembrar, me custa dizer, já está na boca – Tu mi manchi. Você me faz falta. O golpe na língua de Petrarca. Deve ter sido mais simples para ele, tomado pelo racionalismo que me abandona, era mais feliz. Era mais feliz? Eu não era feliz e não sabia...
Sei que nesta busca, buscarei menos e me alimentarei mais. Sentirei mais a chuva domesticando meu cabelo, o sol das seis no retrovisor, as primeiras palavras da menininha, as cordas do sábio violão, o afago desinteressado, o elogio das bocas sonhadoras, os sons da minha casa e as palavras dos mestres da Literatura, minha traidora companheira.
Querer menos é muito difícil, desde agora é minha escolha.
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