Compositor de destinos
Tambor de todos os ritmos
Tempo tempo tempo tempo
Tambor de todos os ritmos
Tempo tempo tempo tempo
Caetano Veloso
Tristeza
Será que duas pessoas que não se entendem podem se entender?
Tempo, tempo, tempo...
Ela era uma das preferidas, sempre há alguém assim, não sei se é o olhar que oferece abrigo ou a capacidade de usar as palavras certas, mas sempre há alguém e, neste momento, ela era uma das preferidas. Não fosse isso, não teria a audácia sorrateira de arremessar “eu sei por que trata bem o...”. Antes de perguntar de onde teria vindo aquela ideia, interrompi listando todos os motivos que ela não buscava, quando revelou “você foi namorada do pai dele”. Respirei e corrigi dizendo que não chegou a ser um namoro, mais uma vez o golpe “mas você foi o grande amor da vida dele”. Respirei e sorri.
O fato é que, entre uma coisa e outra, há um intervalo que supera vinte anos. Não muda nada hoje, não gera reflexões de como poderia ter sido, não vira novela da linha valeapenaverdenovo, não é isso. Fico pensando nas grandes vantagens que o ser humano encontra em sonegar sentimentos e a resposta é óbvia – vantagem nenhuma.
Muita gente já se atreveu a falar sobre o tempo, eu não, nem o farei. Simplesmente tento responder a pergunta de um amigo. Por que está triste? Não fui capaz de organizar os pensamentos e formular uma explicação, entendo apenas que o meu mal, mal do ser, seja não realizar o que busca e se angustiar com o irrecuperável, para citar Vinícius “o tempo do amor é que é irrecuperável”.
Confessei o meu. Confessar é um bom verbo para crimes, amar pode ser um? Eu não entendo, não me entendo, ele também não, é assim que nos entendemos – um encaixe perfeito em condições imperfeitas. Sei é que não esperei vinte anos e minha tristeza ficou menor, menor, mas existe. Existe porque esse amor que ensina, me ensinou a encontrar vida em mim, vida até então ligeiramente morna, de alguém que se preparava para envelhecer. Viver é perigoso em qualquer vereda.
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